quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

CONSOLO

CONSOLO

As asas do sono
Varrem minhas pálpebras
E eu não consigo ver.
As patas da dor
Permanecem sobre meu peito
E eu não consigo respirar
O fogo da brasa
Arde minhas mãos
E eu não consigo impedir
E quando, finalmente, o sopro da vida se extingue
Eu não posso deixar de sorrir.

AMO TANTO

AMO TANTO

Se par tudo precede uma questão
Se pra tudo merece uma in tensão
Se pra tudo reside uma lição
Se pra tudo persiste uma função
Se pra tudo existe uma razão
Então, por quê?

SEMPRE MAIS

SEMPRE MAIS

Se já não bastasse ver
Quero.
Se já não bastasse sonhar
Vivo.
Seja não bastasse pensar
Faço.
Se já não bastasse beijar
Amo.

INSEPARÁVEL

INSEPARÁVEL


Nem chuva
Nem gato
Nem rua
Nem poste
Nem vento
Nem morro
Nem noite
Nem rio
Nada.
Nadas mesmo, pode separar você de mim.

NÓS DOIS

NÓS DOIS

Me toca
Me leva
Me cala

Me beija
Me deixa
Me acha

Me ata
Me fala
Me marca

Me xinga
Me usa
Me ama.

SURPRESAS

SURPRESAS

Quem diria que chegaríamos a tanto
Que faríamos-nos tolos e mentirosos
Eu levaríamos desaforo para casa
Que teríamos vidas paralelas.
Quem diria que tornaríamos isso
Que desperdiçaríamos tempo e sonhos
Que juntaríamos forças um contra o outro
Que diria que nos decepcionaríamos
A ponto de permitir
Que tudo de bom que vivemos um dia
Se perdesse para sempre.

CAMINHOS

CAMINHOS

Solos e poetas
Saltos e gatos
Perdidos no finito, mesmo assim.

Marcha de gotas
Fronhas em brancas nuvens
Chacoalhando o imenso azul.

Nada mais tardará
Nada mais tornará
Botas e sapos e lesmas
Sem se deixar levar.

O forte abrigando a noite
Que espera a lua arder
Chora, chora, chora
Mas fica
Só pra poder lembrar.

Nada mais vale tanto
Luta e caminhada sem gana
Sem nem mesmo respeito por nada
Apenas para dizer que foi.

Grita a dor da morte
Grita a cor da vida
Lamenta a teimosia
Que não permite o descanso
E nos mantém atados, todos
Paralelos,
Eternamente paralelos.