quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Aspirações

ASPIRAÇÕES

O que poderia
Um coração apaixonado esperar?
Romance? Suspense? Poema?
O que poderia
Um ser apaixonado provocar?
Calafrios? Agonia? Sensualidade?
O que poderia
O amante desejar?
Luar? Luxúria? Paz?
O que poderia
Eu, então, sonhar?
Amor? Cumplicidade? Filosofia?
É uma pena!
Mas acho que tudo isso está perdido.
Ou será que nem existe?
Ou será que nem é justo?
Ou será que tudo é loucura?
Só fantasia?!
Fantasia de um tolo.
Tolo, este, que busca nas estrelas e na lua
A inspiração para ser feliz
Que busca no sol nascente
A esperança de recomeçar
Que busca no olhar de outro alguém
Outro tolo
Para não se sentir tão só.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

QUEM SOU EU

Quem sou eu?

Quem sou eu?
Quem devo ser eu?
Sou um sopro?
Uma sombra?
Um espasmo?
Preciso de respostas, agora.
Será que sou um coração despedaçado,
Ou a inspiração que anda?
Quem sabe o amante em busca de um muro,
Ou um muro a ser rabiscado pelos que amam?
Passo pela rua e vejo pessoas
Com as mesmas dúvidas.
Então volto e me questiono novamente:
Sou o amanhã
O hoje
O ontem agora morto?
Serei uma das gotas de orvalho
De uma dessas madrugadas quaisquer,
Que ninguém viu?
Talvez eu seja um vento.
Queria o ser!
Mas...
Não, não sou um vento,
Pois não posso viajar pelo mundo a fora
Varrendo mágoas
Ou sepultando felicidades!
Talvez eu seja um grão de areia.
Queria o ser!
Mas...
Não, não sou um grão de areia,
Pois não poderia ser igual aos outros grãos
Nem tão puro d’alma quanto eles!
Talvez eu seja uma andorinha
Ou um pintassilgo
Talvez uma gaivota.
Queria os ser!
Mas...
Não, não sou uma andorinha
Ou um pintassilgo
Ou uma gaivota,
Pois não faço verões,
Nem canto doces melodias,
Nem plano sobre oceano saudosista!
E agora?
Talvez eu seja o amor
A tristeza
Ou a esperança de ser feliz!
Não, não sou nada disso!
Sou um mero animal pensante.
Que anda
Que fala
E que escreve!

O CLAUSTRO

O claustro

Se eu fechar os olhos
Todos os sons da sala cessarão.
Se eu fechar os olhos
Todas as pessoas da sala desaparecerão.
O chão será outro chão
Será madeira
Em vez de azulejo
Será misto
Em vez de homogêneo
Será negro em vez de amarelo.
Se eu fechar os olhos
Não haverá mais paredes
Não haverá mais teto
Estarei cercada pelo mar
E pelo céu.
Eu sentirei o cheiro
E até mesmo o gosto do sal.
E não esse amargo pó de giz.
Eu sentirei o calor do sol
O arrepio do vento
A vibração das pedras
Quando as ondas do mar vierem.
E não o torpor e o azedume
Do claustro.
Se eu fechasse os olhos
Talvez eu pudesse me transportar
Pra onde me sinto bem
Pra onde me sinto toda.
Guarapari,
Saudades de mim?

SONHANDO COM AS NUVENS

Sonhando com as nuvens

Olhando as nuvens lá em cima
Me lembrei do sonho
Onde havia
Nuvens-carneiros
Nuvem-bulmerangue
Nuvem-boca
Nuvem-cavalo-marinho
Nuvem-bailarina
Nuvem-algodão-doce
Nuvem-montanha
Nuvem-peneira
Nuvem-cabelo-de-anjo
Nuvem-eu-mesma
Sim, eu estava lá.
Ora subindo
Ora planando
Ora mergulhando
E novamente subindo
Planando
Mergulhando
Eu não me sentia só
Todas as nuvens do céu
Me faziam companhia
Nada era vazio
Nada era raso
Nada era triste
Tudo era intenso
Total
Possível
E não havia conquistas
Pois não faltava mais nada
Eu, parte das nuvens
As nuvens, parte de mim
Acordei feliz.

CAINDO NA REAL

Caindo na real

Um dia eu olhei pra você
Como se houvesse encontrado um amigo
Como se houvesse encontrado um apoio
Como se houvesse encontrado um sentido.

Um dia olhei pra você
Como se o mundo fosse um lugar melhor
Como se o mundo fosse um lugar a dois
Como se o mundo fosse um lugar perfeito

Um dia olhei pra você
Como se fosse possível amar pra sempre
Como se fosse possível amar intensamente
Como se fosse possível amar você mais que a mim mesma

Um dia olhei pra você
Como se pudesse compreender tudo o que pensa
Como se pudesse compreender tudo o que espera
Como se pudesse compreender tudo o que sente

Porém, um dia, ao olhar pra você
Nada mais fazia sentido
Nada mais era um sonho
Nada mais era perfeito

E tudo ficou confuso
E tudo ficou diferente
E tudo ficou opaco

Mas estamos todos
Apenas tentando sobreviver aos nossos sonhos
Nossos próprios desejos egoístas
De encontrarmos nossa própria felicidade
E esquecemos que o outro
Que está ao lado
Pode não ver,
Não ser,
Não sentir
Ou não querer nada disso.

ASPIRAÇÕES

Aspirações

O que poderia
Um coração apaixonado esperar?
Romance? Suspense? Poema?
O que poderia
Um ser apaixonado provocar?
Calafrios? Agonia? Sensualidade?
O que poderia
O amante desejar?
Luar? Luxúria? Paz?
O que poderia
Eu, então, sonhar?
Amor? Cumplicidade? Filosofia?
É uma pena
Mas acho que tudo isso
Está perdido.
Ou será que nem existe?
Ou será que nem é justo?
Ou será que tudo é loucura?
Só fantasia!?
Fantasia de um tolo.
Tolo, este, que busca nas estrelas e na lua
A inspiração pra ser feliz
Que busca no sol nascente
A esperança de recomeçar
Que busca no olhar de um outro alguém,
Outro tolo,
Pra não se sentir tão só.

SEM SONHOS

Sem sonhos

Esqueça!
Esqueça o sonho!
Senão, o sonho vai te dominar.
Você pode acreditar nele!
Esquecer para endurecer.
Ou vai ficar mole,
E começar a achar ser possível.
O sonho é chamado assim
Porque é só isso que ele é.
Sonho... Imaginação... Ilusão...
Senão, seria realidade!
Todas as noites
Dormimos pra poder sonhar.
E é à noite principalmente
Que ele vem nos atentar.
Mostra um mundo lindo
Cheio de compreensão.
AH! Quem dera!
Compreensão, companheirismo, cumplicidade, apoio
Nada disso é verdadeiro.
Cuidado!
Se você acreditar nessas palavras
Pode cometer muitos erros.
E o principal:
Sonhar encontrá-las!
Que lástima!
Eu acreditei.
Agora devo endurecer.
Esquecer que eu queria essas coisas
E deixar a natureza em paz.
Não se pode forçar pedra a pluma
Não se pode calar dor a euforia
Não se pode querer música a discurso.
Agora o lema é ser solitário acompanhado
Ter e não usar
Poder e não querer
Saber e não fazer
Amar,
AH! Amar e guardar
Para sempre dentro de mim essa dor.